Angola é um vasto território, com aptidões e características variadas, e, como todos os países pouco explorados, necessita de instrumentos de investigação eficientes, fora de tradicionais rotinas burocráticas, que possam pôr a nu as suas grandes potencialidades.
O bem-estar de Angola nos anos mais próximos reside essencialmente no esforço produtivo. Não se pode dizer que a província atravessa um período semelhante a outros que a têm assolado, com perniciosos efeitos no seu desenvolvimento. Mas circunstâncias derivadas da necessidade de inverter largas somas em aplicações de modesta influência no produto bruto introduziram perturbações no mecanismo económico.
Uma parte muito sensível dos investimentos utilizados na província são caracterizados por alta relação capital-produto, como o grande esforço feito na habitação em Luanda, Lobito, Nova Lisboa e noutras cidades e povoações do litoral e do interior; e muitos dos investimentos consignados no Plano de Fomento dizem respeito a empresas de fraca relação capital-produto, por virtude da sua própria natureza ou por não terem ainda produzido os frutos esperados.
Assim, coube às actividades particulares um esforço grande. A província não estava preparada para enfrentar a utilização de vastas sornas em empresas de reprodução com baixo coeficiente de capital-produto.
Deste facto derivaram alguns dos males actuais, que necessitam de ser removidos pelo desvio de maior somatório de investimentos para fins de reprodução imediata.
O fenómeno não caracteriza apenas Angola. Quase todos os países africanos, a norte e a sul do equador, sofrem idênticos contratempos. Mas talvez que euforias na produção e nos preços de alguns produtos, como o café, e há alguns anos o sisal, tivessem criado uma mentalidade exuberante, que desviou para fins pouco produtivos disponibilidades que poderiam ter sido investidas em fins que permitissem mais intensivas exportações.
Parece, tendo em conta as possibilidades materiais da província, ser relativamente fácil melhorar o volume da exportação e evitar certas importações que podem ser produzidas em Angola. Mas para isso é indispensável encaminhar maior somatório de investimentos para empresas de grande reprodutividade.
Angola não tem a neutralizar os seus desequilíbrios de comércio volume de cambiais semelhante. Apenas o caminho de ferro de Benguela e o porto do Lobito e pouco mais podem angariar capitais invisíveis de alguma importância, e, em certos casos, as transacções são feitas fora da província.
Assim, é na balança do comércio que reside o equilíbrio da própria vida económica da província. A remessa de capitais do exterior sob a f orma de investimentos e o produto das exportações são os dois grandes esteios do seu desenvolvimento económico.
As próprias forças que impelem para o crescimento são responsáveis por um acréscimo contínuo nas importações.
Comércio externo
Sem haver motivos para alarme, o aparecimento do saldo negativo na balança do comércio é um acontecimento sério, que convém não perder de vista nas medidas a tomar sob o ponto de vista financeiro e sob o ponto de vista económico.
O relator das contas mantém a opinião, já diversas vezes expressa nos pareceres, de que na distribuição dos investimentos disponíveis há que atender ao seu grau de reprodutividade económica, traduzido nas possibilidades do aumento na exportação eu na substituição de importações de países estrangeiros por produtos ou artigos fabricados ou cultivados na província.
O equilíbrio das balanças do comércio e de paga mentos depende da política económica. Manter uma corrente de investimentos para aplicações que não tenham repercussão directa e apreciável nas importações e exportações pode levar a maiores dificuldades ou a retardamento no progresso económico.
Cresceu a tonelagem e o seu valor. A província conseguiu exportar mais do que no ano de 1956, mas as importações aumentaram em maior cadência. Anula-