advêm da solidariedade e da confiança mútua; é indispensável e urgente que os portugueses africanos -gostaria de poder dizer apenas os nacionais - que aqui se encontrem, vindos do ultramar, não se sintam estrangeiros na sua própria Pátria, a Pátria em cuja construção, conservação e engrandecimento participam ... Ou se realiza este desiderato ou a multirracialidade não passará de uma ficção e a comunidade plu-ricontinental de um mito.

Têm, portanto, todos os cidadãos, em geral, e, em particular, a Acção Nacional Popular, a que me venho referindo como movimento político destinado a assistir e apoiar o Governo na sua acção, um papel importantíssimo a desempenhar neste sentido.

Para tanto, sugiro, além das medidas que o Governo pode e deve tomar neste campo, nos planos do legislativo e do executivo, que seja iniciada, quanto antes e a todos os níveis da organização, uma intensa campanha de esclareci mento e consciencialização, com vista aos seguintes objectivos: Fazer as populações metropolitanas compreender que, ao contrário do que diz a propaganda inimiga - cá e lá -, a guerra que se trava no ultramar não é uma guerra de africanos contra metropolitanos ou destes contra aqueles, mas, sim, é consequência de uma situação que se criou, em que uns e outros são vítimas da agressão de fora, por estrangeiros encobertos sob a capa de humanitarismo, embora tendo podido contar com a colaboração de alguns portugueses - tanto africanos como metropolitanos, apátridas, renegados ou transviados -, mostrando-lhes que, do nosso lado, na Guiné, como em Angola e Moçambique, ambos os grupos humanos lutam; lado a lado, e morrem para que a Pátria sobreviva;

b) Ensinar as populações metropolitanas a verem nos portugueses da África e estes nos europeus não um concorrente nem um usurpador, mas um cooperador, um comparticipante e co-beneficiário do progresso do País, que todos não somos de mais para construir e engrandecer.

Para terminar, rogo a Ex.ª, Sr. Presidente, em nome do povo que represento, se digne ser o intérprete, junto do Governo da Nação, da nossa inteira e reiterada confiança e do nosso incontestável apoio à política definida por S. Ex.ª o Presidente do Conselho, Prof. Marcelo Caetano, há cerca de cinco anos. Muito obrigado!

Tenho dito.

fazerem levedar resmungos e mal-estares...

Em resultado da iniquidade de tais acções, verifica-se aqui, na capital, como muito bem foi apontado pelo ilustre orador, o espectáculo indecoroso das enormes «bichas» de automóveis junto às estações abastecedoras de gasolina. E, ao que consta, quanto neste aspecto se passa em Lisboa reflecte-se em escala adequada noutros espectáculos idênticos e igualmente indecorosos por todas as cidades e vida metropolitanas.

As esperanças postas pelo Governo na compreensão e atitude civilizada das populações esbarram no egoísmo e incivilidade de uns tantos, possivelmente nos propósitos agitadores de uma minoria actuante. E assim, os egoísmos e os receios de prejuízos pessoais proliferam e alastram como escalrachos, mesmo no seio da população mais ordeira e digna.

Quem, como eu, não tem tempo para aguardar horas e horas nestas «bichas» degradantes, e quem, como eu, reside a apreciável distância dos transportes colectivos e tem de caminhar diariamente mais de uma légua, por caminhos acidentados, para poder estar presente ao plenário desta Assembleia, onde se discutem assuntos do mais alto interesse piara o progresso da Nação, não pode deixar de sentir, com acuidade e sacrifício pessoal, esta carência e não pode deixar de mostrar-se amargado com o pouco civismo de parte da população, a qual, muito embora as calmas e reflectidas advertências do Sr. Presidente do Conselho e muito embora a afirmação de S. Ex.ª de que nos restam as reservas suficientes desde que todos procedam sem egoísmos e com restrições nos seus gastos supérfluos, teima nocivamente em arranjar depósitos furtivos do precioso combustível, desprezando riscos de vidas e bens, não só próprios, mas também dos seus semelhantes.

Como tantos outros, penso que só o recurso ao racionamento poderá, a um tempo, terminar o inde-