A minha intenção era ficar em silêncio sobre esta matéria, mas acontece que o Sr. Deputado Narana Coissoró deu-me essa possibilidade ao assumir, e bem, em certo momento e com aquele brilho que lhe conhecemos, o papel de líder parlamentar socialista.
De modo que não pude ficar em silêncio! Mas, em todo o caso, recomendaria ao Sr. Deputado César Oliveira o seguinte: se estivesse na situação do Sr. Deputado eu não diria mais nada!
Aplausos do PS e do PSD.
O Orador: - Ó Sr. Deputado José Luís Nunes, compreendo a tentação que V. Ex.ª teve de ficar em silêncio, e digo-lhe que a compreendo profundamente! De facto, não digo mais nada!
Vozes do PS e do PSD: - Faz muito bem!
O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado Lopes Cardoso pede a palavra pêra que efeito?
O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Para exercer o direito de defesa. Sr. Presidente.
O Sr Presidente: - Então terá de aguardar um momento, visto que, para o mesmo efeito, o Sr. Deputado Marques Mendes pediu a palavra primeiro.
O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): -Sr. Presidente, pretendia fazê-lo em relação às afirmações do Sr. Deputado José Luís Nunes, portanto penso que teria oportunidade neste momento.
Mas V. Ex.ª decidirá como entender!
O Sr. Presidente: - Dou-lhe a palavra logo a seguir ao Sr. Deputado Marques Mendes, pois este Sr. Deputado encontra-se à frente na ordem de inscrições.
Para exercer o direito de defesa, tem a palavra o Sr. Deputado Marques Mendes.
O Sr. Marques Mendes (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Vou ser muito rápido, para não roubar tempo ao grupo parlamentar do meu partido.
Queria apenas dizer ao Sr. Deputado Narana Coissoró, em defesa do nosso grupo parlamentar e do próprio Partido Social-Democrata, que os deputados da maioria não procuram mandar no Governo, mas também não são governamentalizados! Repudiamos inteiramente essa sua afirmação!
Apoiamos um governo quando ele merece a nossa confiança, mas também a saberemos negar quando a não merecer.
Queremos dizer que, quando se exigem medidas, fazemo-lo de acordo com aquilo que é nosso dever como deputados e como representantes do povo, no sentido de que se implementem as medidas necessárias para o bem do povo português.
Quanto à afirmação, que reputo grave, de que o PSD quando integrava a AD, e sendo a sua trave mestra, a inviabilizou, só queria lembrar ao Sr. Deputado o seguinte: quem foi que se demitiu de presidente do CDS quando era Vice-Primeiro-Ministro?
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Narana Coissoró.
O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Apenas para dizer que registo esta boa vontade e coragem que o Sr. Deputado Marques Mendes manifestou ao dizer que um dia há-de rejeitar esta coligação se for preciso -havemos de ver amanhã! - e queria também agradecer a homenagem que presta ao antigo presidente do meu partido, na medida em que o considera como verdadeiro suporte da AD, enterrando, assim, mais uma vez, a memória do grande líder que foi o Dr. Sá Carneiro!
Protestos de deputados do PSD batendo no tampo das carteiras.
O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Não diga disparates!
O Sr. Presidente: - Para também exercer o direito de defesa, mas agora em relação às afirmações feitas há pouco pelo Sr. Deputado José Luís Nunes, tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.
passividade do Partido Socialista e, nomeadamente, do Sr. Deputado.
De facto, abstivemo-nos aquando do programa de Governo e da moção de confiança, que foi apresentada conjuntamente, votámos contra o Orçamento e nem por isso o Partido Socialista levantou qualquer problema. E não o fez porque a interpretação então dada -e isso foi discutido quando se assinaram os acordos- foi muito claramente aquela aqui invocada pelo meu camarada César Oliveira.
E também posso dizer, apesar de não lhe pretender contar em pormenor, porque penso que este não é o local apropriado -mas aconselho-o a informar-se sobre isso junto dos seus camaradas, até para não fazer falsas saídas como esta que acabou de ter- que também deixámos claro qual seria a atitude que assumiríamos neste Parlamento se, por-